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Opinião



O automóvel

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Para muitos, o automóvel não é um veículo de transporte, mas um símbolo de poder. Estes, quando saem às ruas, querem será admirados por causa do carro, querem ser reconhecidos como poderosos. São os que não respeitam o sinal, os pedestres, as regras do trânsito. E se o carro da frente faz algo que lhes incomoda respondem aos berros, usam palavrões e gestos obscenos, porque não admitem serem “passados para trás”.
O automóvel tem a capacidade de dar poder ao seu dono. Dentro dele muitos se acham protegidos por uma armadura, e essa armadura os fazem maiores. Como se, ao entrar num carro, o cidadão comum se transformasse numa pessoa com super-poderes. E se o motorista ao lado comete um erro, o super-herói tem uma super-reação. Como sua raiva e sua irritação com a barbeiragem do outro também são super, sua reação pode ser partir para briga ou, se tiver uma arma ou um cano de ferro, tentar matar o outro.
Bom motorista não é somente aquele que obedece às regras de trânsito. Isso é pouco. Bom motorista é aquele que, além de obedecer às regras de trânsito, não faz do seu carro uma arma e nem assume os super-poderes que o carro (falsamente) lhe dá. O bom motorista leva desaforo para casa, onde a família lhe espera, para não cometer um crime somente porque o outro – um mal educado, um estúpido - lhe deu um tranca ou lhe disse uma grosseria. O bom motorista é um homem de paz.
 

O Vale sem usina nuclear

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Uma fonte de informações dentro do Governo revelou que está praticamente descartada a possibilidade de se construir usinas nucleares na Bahia e, provavelmente, em todo Nordeste. Se isto for verdade, a região fica livre de um grande problema.
De fato, os trambolhos nucleares, pretensamente modernos, representam um risco para todas as pessoas da região. Construir usina nuclear é sabidamente investir no perigo, no medo. E gastando muito dinheiro.  Exatamente este motivo – muito dinheiro investido, o que faz a felicidade das empreiteiras – é o maior para o Governo ainda insistir nessa tecnologia ultrapassada.
Mas se a Bahia estiver livre dessa tralha nuclear a preocupação não acaba. Essas usinas, diz a mesma fonte, devem ir para o Sudeste, porque lá reúne melhores condições técnicas. O problema, portanto, não acabou. Primeiro, porque os custos serão financiados pela sociedade civil; segundo, porque lá também moram pessoas, e o sentimento humanitário não se resume aos conterrâneos, mas ao ser humano, esteja onde estiver.
 

Poderemos viver juntos?

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Este é o título de livro do sociólogo francês, Alain Touraine, escrito em 1997. Na obra ele investiga uma questão que aflige a todos: o que será do indivíduo na sociedade globalizada? Remetendo à pergunta: poderemos viver juntos?
Se na atual sociedade desmodernizada (termo criado por Touraine), marcada pela globalização dos mercados, o indivíduo é reconhecido pelo que consome e não pelo que é, ou pelo que faz, onde estará sua individualidade? Qual a sua identificação? Bauman, sociólogo polonês, fala em “modernidade líquida”, para expressar esta situação em que, parece, tudo está por toda parte e todos estão em lugar nenhum. E, finalmente, nada parece sólido – seja o Estado, as instituições ou as relações pessoais.
Este é o grande desafio do homem moderno (ou pós-moderno, ou “desmoderno”): para existir, para estar no mundo, ele precisa criar laços; laços de identidade, laços comunitários. E isso requer a descoberta de linguagens comuns (códigos), utopias comuns, sonhos comuns, propósitos comuns. Nesse mundo em que os mercados dizem o que cada um deve comprar (gostar, levar para casa, adorar), que é o mesmo para todo mundo, o homem precisa encontrar seu grupo, sua tribo, para construir essa nova comunidade.
 

Pedofilia

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Um dos crimes mais horrendos da humanidade é a pedofilia, quando adultos abusam sexualmente de crianças ou adolescentes. Estatísticas dão conta de que é um crime que acontece muito no âmbito familiar: são parentes ou amigos da vítima que se aproveitam da intimidade e da inocência dela para praticar seus atos. A pedofilia ocorre em todas as classes sociais – entre os ricos e entre os pobres.
No passado, muitos casos de pedofilia dentro da família foram acobertados para preservar a família. Na verdade, preservava-se o criminoso, a vítima tinha que amargar calada essa violência contra seu corpo – pelo resto da vida carregava essas marcas da agressão. O fato é que nenhuma família se preserva quando se preserva o criminoso, o pedófilo.
Felizmente, hoje, com as tantas denúncias trazidas pela imprensa, a pedofilia está sendo tratada como merece: como um caso de polícia. Diariamente novos casos são denunciados. A sociedade está demonstrando que não aceita essa prática ignóbil contra a pessoa humana. É obrigação de todas as pessoas denunciarem esse tipo de crime, principalmente se foi vítima em algum momento do passado. Somente enfrentando a verdade podemos impedir que novos criminosos possam agir sobre vítimas inocentes.
 

A arte

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A prática da arte acompanha a humanidade antes de existir a civilização nos moldes atuais. Até hoje os antropólogos se dividem quanto ao mérito das inscrições rupestres: seriam arte ou o registro do cotidiano daqueles povos?
A arte, a verdadeira arte, ela incomoda os poderosos, mas também os tranquilos, os quietos, os acomodados. A boa arte é revolucionária por natureza. A arte pode agradar, causar prazer, mas também dor. A arte provoca reflexão. A Mona Lisa de da Vinci foi pintada há mais de 400 anos e até hoje as pessoas param e descobrem coisas novas no seu olhar. Igualmente, a música de Luiz Gonzaga ou a do baiano Elomar, serão ouvidas daqui a 500 anos e as pessoas ainda irão se espantar com o que ela provoca.
Todo mundo pode fazer arte, mas somente o artista tem talento para criar algo diferente, revolucionar. Os que fazem diferente, original, provocador, e belo, estes ficarão. Os que fazem arte segundo um modismo, tentando copiar as outras cópias, submetendo-se à indústria cultural, serão lembrados como aqueles que fizeram parte de uma turma que se copiava. E nada mais.
 
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